País
"A situação é muito dramática". Famílias e empresas de Leiria com muitas dificuldades por causa das tempestades
Duas semanas após a passagem da tempestade Kristin que assolou Leiria, o programa da Antena 1, Consulta Pública, foi ao terreno perceber como estão as pessoas e o que lhes falta, quando ainda se fazem sentir os efeitos do mau tempo.
A vice-presidente da Câmara Municipal de Leiria subscreve os receios dos empresários, até porque, defende, se as medidas de apoio anunciadas pelo Governo não forem colocadas em prática “corremos riscos em termos de coesão social”.
Anabela Graça destaca, no entanto, a situação das famílias afetadas pela intempérie. “Ninguém aguenta duas semanas sem luz. Isto é terrível para as famílias. Tem um efeito psicológico brutal nas pessoas”. E conclui: “muitas famílias vivem sem dignidade”.
As famílias são também a preocupação de Nélson Costa. O diretor de Serviços da Cáritas Diocesana de Leiria alerta para o facto de “as vidas das pessoas ficaram em suspenso e tudo isto tem um impacto psicológico nas famílias, nas crianças, nos jovens”.
Entrevistado no Consulta Pública, José Ferrari Careto, o presidente da E-Redes, garantiu que "partilhamos a preocupação de todos com o facto de haver instalações sem energia. Estamos a fazer tudo o que é possível para fazer um restabelecimento muito rápido".
José Lino é uma das pessoas que viu a casa e o seu negócio ser afetado pela tempestade e contou à repórter Diana Craveiro as maiores dificuldades que ainda enfrenta, duas semanas depois da passagem da Kristin.
Especialistas são unânimes: falta planeamento e prevenção
Marco Martins, vice-presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses, destaca que "podia ter sido feito algo muito diferente na antecipação”. E dá um exemplo: "os cabos elétricos deviam sem subterrâneos e não aéreos. Continuamos ainda hoje a ter essa situação problemática”.
"A tempestade evidenciou vulnerabilidades estruturais”, a afirmação é de Rafael Caldeirinha. O professor do Instituto Politécnico de Leiria e especialista em comunicações críticas relembra aquilo que fragiliza o país: “uma dependência critica em energia elétrica, falta de redundância e a autonomia limitada das baterias”
Para Osvaldo Tavares, coordenador de operações da Cruz Vermelha Portuguesa, “a nossa cultura não é de prevenção”. E questiona “porque é que nas escolas não existe um programa de cultura de prevenção no âmbito da proteção civil?”
As alterações climáticas não são uma novidade. Têm sido estudadas por investigadores como Miguel Moreira. O engenheiro do Ambiente e investigador no Centro de Ecologia Funcional da Universidade de Coimbra revela que “sabíamos que este tipo de fenómenos, mais cedo ou mais tarde, iriam acontecer. Não sabíamos quando e com que intensidade”. E deixa dois avisos: “Sabemos que (estes fenómenos) vão voltar a acontecer e o país não está preparado”.
As construções ilegais são destacadas por Ricardo Duarte. O vice-presidente do Conselho Diretivo da Região Centro da Ordem dos Engenheiros afirma que “onde temos soluções menos robustas, sem acompanhamento técnico adequado e sem licenciamento... soluções clandestinas, foram as primeiras a serem afetadas e danificaram o que estava bem feito”.
Este é o momento em que a população de Leiria procura apoios e orientação para reconstruir o que a tempestade destruiu. A repórter Diana Craveiro esteve no gabinete Reerguer Leiria, criado pela Câmara Municipal de Leiria, onde encontrou Emília Pinheiro que ficou sem telhado, sem chaminé, sem painéis solares e agora precisa de ajuda para fazer face aos danos. O programa Consulta Pública é moderado por Frederico Moreno.